22/05/2022 às 10h08min - Atualizada em 23/05/2022 às 00h00min

Insônia em crianças pode ser tratada com higiene do sono, diz médico

Enquanto nos adultos as situações estressantes são as maiores causadoras de noites mal dormidas, nas crianças, a insônia tem caráter comportamental. Por isso, o tratamento demanda mudança de hábitos e o estabelecimento de rotina.

SALA DA NOTÍCIA Agência Brasil
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A dificuldade de dormir ou conseguir manter um sono contínuo durante a noite também pode acometer crianças. Para elas, entretanto, a insônia tem características distintas. 



Enquanto nos adultos as situações estressantes são as maiores causadoras de noites mal dormidas, nas crianças, a insônia tem caráter comportamental. Por isso, o tratamento demanda mudança de hábitos da família e o estabelecimento de uma rotina para pais e filhos, principalmente à noite.



Nos primeiros meses de vida, o bebê tem um sono espaçado ao longo das 24 horas, dormindo em média 16 horas por dia. Com o passar do tempo, esse período vai diminuindo, e ele dorme entre 11 e 14 horas. Quando completa 12 meses, a criança já tem um período de sono mais prolongado à noite e faz 1 a 2 cochilos de dia. 



Nesta fase, o bebê pode ter dificuldade para iniciar e manter o sono, precisando da presença e intervenção dos pais, dando colo, embalando, oferecendo o seio materno ou a mamadeira.



“Existem crianças que estão acostumadas a dormir somente após mamar, ficar no colo e ser embalada. Por isso, quando despertam no meio da noite, chamam os pais para que eles repitam este ritual”, alerta o pediatra Gustavo Moreira, pesquisador do Instituto do Sono. É a chamada insônia por distúrbio de associação. Geralmente, explica o médico, é desencadeada quando a criança adoece, principalmente nos primeiros anos de vida, necessitando de atenção redobrada dos pais. 



As doenças mais comuns nesta fase são bronquite, refluxo gastroesofágico, alergia à proteína do leite de vaca e infeções de repetição. Outros gatilhos são mudanças de casa, cidade ou início precoce da creche.



Na criança maior, o comportamento é diferente e ela tenta prorrogar o início do sono dizendo que está com fome, sede ou medo. Ela pode acordar no meio da noite e ir para o quarto dos pais, que a levam de novo para o seu quarto. “Esse vaivém dura até uma hora que, por cansaço, os pais deixam a criança dormir na cama do casal ou numa cama ao lado. É a chamada insônia por falta de limites”, explica o médico.



Segundo o especialista, algumas crianças podem apresentar os dois tipos de insônia combinados ou migrar do distúrbio de associação para o de falta de limites. “Esse problema é bem frequente, em torno de 20% das crianças. Famílias vivem esse problema, de uma forma mais intensa ou menos”, relata o médico.



O maior problema de noites mal dormidas é que as crianças podem ficar irritadas, agressivas e desatentas ao longo do dia.



Segundo Moreira, a insônia pediátrica está associada ao fato de que, para a criança, o horário de dormir está relacionado ao momento de separação dos pais. Caso não exista um processo de transição, o bebê vai chorar quando estiver sozinho no berço e a criança maior vai usar subterfúgios para não dormir.



“Para o tratamento da insônia infantil, primeiro é preciso ensinar a criança a dormir sozinha. Para isso, a gente tem que fazer a higiene do sono. Quase ninguém faz, mas é importante”, reforça o especialista. 



Higiene do sono



Não há fórmula mágica para que as crianças durmam a noite inteira, mas com paciência e dedicação dos pais na aplicação da higiene do sono, a prática pode ajudar os pequenos a dormirem melhor. 



A higiene do sono é um conjunto de atividades tranquilas que direcionam a criança para o momento de dormir.



Confira as orientações do especialista:



Estabelecer rotina – definir horários fixos para a criança dormir, acordar e fazer uma soneca nos sete dias da semana. “Tem que ter uma regularidade no horário para dormir e antes de dormir, uma hora antes, desligar os eletrônicos”, reforça o especialista. 



Evitar o uso de telas – celulares, tablets e aparelhos de televisão servem de estimulantes para as crianças. O uso deve ser evitado de 1 a 2 horas antes do horário de ir para cama.



“Esses dispositivos têm um conteúdo estimulante. E a luz que é emitida pelo tablet, celular, vai lá no cérebro dizer que é dia, e não é noite. A criança tem que parar de pular, de correr e fazer uma atividade calma como desenhar, por exemplo” 



Hora de dormir – o melhor horário para a criança ir para a cama é no início da noite. A escuridão vai estimular a produção da melatonina, hormônio que facilita o sono.



Banho quente – o banho ajuda a tranquilizar a criança. Mas tem que ser um banho calmo, sem muitas brincadeiras. 



Ritual de sono – diminua o ritmo e a movimentação da casa. Essa sucessão de eventos ajuda a criança a se acalmar e a sinalizar que é hora de dormir. Inicie desligando as luzes no ambiente principal da casa, por exemplo. Em seguida, ela deve ir ao banheiro para escovar os dentes e depois ir para o quarto dormir.



Contar histórias – “antes de apagar as luzes, os pais podem cantar uma canção, fazer uma oração ou contar uma história para seu filho”, aconselha o especialista.




Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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