“BIM não é modelagem, BIM é informação”: especialistas apontam mudança de cultura como principal desafio da construção civil

QiConnect Florianópolis foi realizado no dia 2 de junho, na sede da AltoQi, em Florianópolis QiConnect Florianópolis foi realizado no dia 2 de junho, na sede da AltoQi, em Florianópolis
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Embora o BIM (Building Information Modeling)  já seja uma realidade consolidada na engenharia e na construção civil, o mercado ainda enfrenta um desafio importante: compreender que a metodologia vai muito além da criação de modelos tridimensionais. A avaliação é de Rodrigo Koerich, CPO da AltoQi, que defendeu uma mudança de cultura no setor durante o QiConnect Florianópolis, realizado no dia 2 de junho, na sede da empresa, na capital catarinense.

“BIM não é modelagem. BIM é informação. É a capacidade de tomar decisões baseadas em dados confiáveis ao longo de todo o ciclo de vida de uma obra”, destacou Koerich. O BIM é uma metodologia que integra informações de todas as etapas de uma obra em um modelo digital, permitindo maior controle de custos, prazos, compatibilização de projetos e tomada de decisões baseada em dados. 

A reflexão deu o tom para os debates sobre transformação digital, inovação, produtividade e competitividade na construção civil. Promovido pela AltoQi, empresa líder nacional em tecnologia para a construção civil, o QiConnect reuniu profissionais, gestores públicos, construtoras, projetistas, especialistas e empresas parceiras para discutir como tecnologias como inteligência artificial, BIM e gestão digital estão redefinindo a forma de projetar, planejar e executar empreendimentos. 

A programação foi dividida em dois momentos. Pela manhã, a edição Governo trouxe debates voltados à modernização das obras públicas e da administração pública. À noite, o foco esteve no mercado da construção civil, reunindo empresas e profissionais interessados em inovação, eficiência operacional e transformação digital. 

Transformação digital também passa pelas obras públicas

A edição Governo teve como foco os desafios enfrentados pela administração pública na gestão e execução de obras, como falta de integração entre processos, baixa previsibilidade, retrabalho e dificuldades de controle de custos e prazos. Durante a palestra “Importância Estratégica do BIM no Governo”, Rodrigo Koerich destacou que a metodologia tem papel fundamental na modernização da gestão pública.

“Os benefícios estão em conseguir construir uma obra com muito mais confiabilidade, dentro do prazo e do custo previstos, com muito menos margem de erro e muito mais informação para tomada de decisão. Quando o contratante entende isso, o jogo muda completamente”, afirmou.

Segundo ele, embora o Brasil já possua experiências bem-sucedidas na adoção do BIM, ainda existe um grande espaço para evolução. “O mercado está amadurecendo. Há alguns anos ainda existia dúvida sobre a consolidação do BIM. Hoje essa dúvida não existe mais. O desafio agora é ampliar o entendimento sobre os benefícios que ele gera em termos de previsibilidade, controle de custos, qualidade e redução de riscos”, observou.

Felipe Roque, CRO da AltoQi
Felipe Roque, CRO da AltoQi

Koerich também destacou que o avanço da transformação digital depende diretamente do envolvimento dos contratantes, sejam eles públicos ou privados. 

O CPTO da AltoQi, André Banki, conduziu a palestra “Inteligência Artificial no Setor Público”, mostrando como a tecnologia pode contribuir para automatizar processos, ampliar a eficiência administrativa e melhorar a prestação de serviços à população. O painel “BIM GOV: Cases, Lições e Desafios Futuros”, teve a participação de Robson Carlos Santos, da Magnus Engenharia, que apresentou experiências práticas e reflexões sobre os desafios da implantação do BIM em projetos governamentais.

30 anos de evolução tecnológica na engenharia

Ao longo do evento, Rodrigo Koerich também fez uma reflexão sobre a trajetória da AltoQi e da própria transformação digital da engenharia brasileira. Neste ano, o software Eberick, uma das principais soluções da empresa, completa 30 anos de mercado.

Com mais de duas décadas de atuação na organização, Koerich relembrou a evolução da tecnologia ao longo desse período. “Quando comecei, utilizávamos as primeiras versões do Eberick em ambiente DOS. Vi a evolução dos softwares, a chegada do BIM, a integração entre disciplinas e agora a inteligência artificial. A AltoQi ajudou a democratizar o acesso à tecnologia para a engenharia brasileira, tornando soluções avançadas viáveis para milhares de profissionais e empresas.”

Inteligência artificial deixa de ser tendência e passa a integrar a rotina da construção

O avanço da inteligência artificial na construção civil foi apresentado pelo CRO da AltoQi, Felipe Roque, que  destacou que o mercado ainda está descobrindo o verdadeiro potencial da tecnologia. “Hoje o mercado ainda está um pouco embriagado pela inteligência artificial. Grande parte das discussões está focada em produtividade e ganho de tempo, mas existe uma camada muito mais estratégica, que é a capacidade de conectar os diferentes elos da construção civil.”

Segundo ele, a IA deve ser compreendida como uma infraestrutura capaz de integrar informações e apoiar decisões em todas as fases do empreendimento. “A inteligência artificial não é mais um produto isolado. Ela passa a ser uma camada de sustentação capaz de conectar projeto, planejamento, orçamento e execução, criando uma fonte única de verdade para a tomada de decisão.”

Roque ressaltou ainda que os impactos da tecnologia vão além da automação de tarefas. “A IA não vai apenas ajudar as pessoas a fazerem mais rápido aquilo que já fazem hoje. Ela permitirá tomar decisões que antes sequer eram consideradas, identificando riscos, oportunidades e informações relevantes em tempo real.”

O executivo explicou que essa nova abordagem reduz incertezas e amplia a capacidade analítica dos profissionais.

Rodrigo Koerich, CPO da AltoQi
Rodrigo Koerich, CPO da AltoQi

Dados conectados serão o combustível da nova engenharia

Complementando o debate sobre inteligência artificial, Peter Paredes, Biz Dev Engineer da AltoQi, abordou um dos maiores desafios da construção civil: a fragmentação dos dados. “A construção civil ainda trabalha muito em silos. E quando os processos ficam isolados, os dados também ficam isolados. Isso limita o potencial da inteligência artificial e reduz a capacidade de gerar valor para os negócios.”

Segundo ele, o setor possui uma grande oportunidade de acelerar sua transformação digital por meio da integração das informações. “Para que possamos tirar o máximo proveito da inteligência artificial, precisamos de uma inteligência conectada aos sistemas utilizados no dia a dia dos profissionais.”

Durante a palestra, Paredes apresentou a visão da empresa para o AltoQi Axis, plataforma de inteligência conectada que será integrada ao ecossistema de soluções da companhia. “Estamos construindo uma camada de inteligência conectada ao Eberick, ao Builder, ao Visus e às demais soluções. Isso permitirá oferecer recursos avançados de análise, apoio à modelagem, dimensionamento, detalhamento de projetos e gestão.”

O executivo também apresentou projeções internacionais sobre o crescimento da inteligência artificial aplicada à construção civil. “Uma pesquisa realizada na América do Norte aponta que o mercado movimentou cerca de US$ 5 bilhões em 2025 e poderá atingir aproximadamente US$ 36 bilhões em 2034. Isso demonstra que estamos diante de uma mudança estrutural na forma de trabalhar da indústria da construção.”

Segundo ele, a transformação será impulsionada pela combinação entre conhecimento técnico e inteligência artificial. “Os profissionais continuarão sendo fundamentais. O que veremos é a consolidação de modelos híbridos, em que engenheiros e arquitetos utilizarão a inteligência artificial como suporte para ampliar sua capacidade de análise e tomada de decisão.”

Construção civil mais produtiva, integrada e sustentável

A programação da noite reuniu construtoras, escritórios de projetos, gestores e profissionais interessados em inovação, produtividade e competitividade.

Um dos destaques foi a palestra da ArcelorMittal, parceira estratégica da AltoQi, intitulada “Como a integração da indústria do aço à construção impulsiona a sustentabilidade e produtividade”. Representando a companhia, Luís Filipe destacou a importância da aproximação entre indústria, projetistas e empresas de tecnologia. “A ArcelorMittal já investe há bastante tempo em iniciativas ligadas à transformação digital e à inovação. A construção civil é um dos setores mais importantes para aplicação dessas soluções, e entendemos que tudo começa no projeto.”

Segundo ele, a parceria com a AltoQi permite compreender melhor as necessidades do mercado e acelerar o desenvolvimento de soluções voltadas à produtividade. “Ao nos aproximarmos da AltoQi e dos projetistas, conseguimos entender as dores reais da construção civil e desenvolver soluções que contribuam para uma cadeia mais eficiente, produtiva e digital.”

Participantes destacam troca de experiências e aplicações práticas da tecnologia

Além do conteúdo técnico, o QiConnect também foi marcado pela presença de profissionais do setor público e privado que buscaram atualização, networking e troca de experiências sobre os desafios da transformação digital na construção civil. Para a engenheira civil e consultora de órgãos públicos Kesia Alves, a participação no evento também representa a continuidade de uma trajetória construída em parceria com a AltoQi.

“A minha história profissional e a história da minha empresa se confundem muito com a parceria que temos com a AltoQi. É uma empresa que nos impulsionou e nos ajudou muito ao longo da nossa trajetória, permitindo desenvolver projetos relevantes e construir cases importantes utilizando suas ferramentas”, afirmou.

Representando o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o diretor de Engenharia e Arquitetura, Everton William Tischer, ressaltou o interesse do órgão em acompanhar a evolução das tecnologias voltadas à gestão pública. “Viemos conhecer as soluções que estão sendo desenvolvidas para o setor público, entender as perspectivas de futuro e acompanhar a evolução do BIM. Tudo isso pode trazer resultados importantes para a gestão das obras públicas”, explicou.

Inteligência artificial, gestão baseada em dados e integração de processos estiveram no centro dos debates do QiConnect Florianópolis
Inteligência artificial, gestão baseada em dados e integração de processos estiveram no centro dos debates do QiConnect Florianópolis

Segundo ele, o evento apresentou ferramentas e conceitos capazes de contribuir diretamente para a modernização da administração pública. “Estamos conhecendo novos softwares e sistemas que a AltoQi vem desenvolvendo. Isso amplia nossa visão e nos ajuda a evoluir na condução das obras públicas.”

A Prefeitura de Tijucas também esteve presente no encontro. O coordenador de projetos do município, Leonardo Lucas Gabriel, destacou que a participação ocorreu em um momento importante para a implementação de novas soluções tecnológicas na gestão pública.

“Recentemente adquirimos a plataforma AltoQi Builder e já temos uma atuação consolidada com BIM na Prefeitura. Agora estamos em uma nova etapa de aprimoramento e integração das ferramentas. O evento trouxe muitas novidades e conhecimento para apoiar esse processo.”

Também da Prefeitura de Tijucas, o engenheiro Marcos Antônio Tamanini, que atua na área de orçamentação, destacou o potencial das novas tecnologias para a administração pública. “Estamos em um processo de implementação do BIM na Prefeitura e isso está abrindo novos horizontes para nossa equipe. É um movimento de inovação que traz oportunidades importantes para a gestão pública.”

A engenheira civil Ana Carolina Rambo participou do encontro em busca de conhecimento sobre as novas tecnologias que vêm transformando a engenharia e a gestão de obras. Segundo ela, o evento aconteceu em um momento estratégico de sua trajetória profissional e dos projetos que está desenvolvendo.
O  QiConnect também vai passar por Brasília no dia 8 de junho com foco em gestão de obras públicas e Goiânia dia 10 de junho com foco em construtoras e escritórios de projetos.

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