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01/09/2023 às 16h02min - Atualizada em 03/09/2023 às 00h00min

Fila para transplante de córnea no Brasil pode chegar a mais de 1 ano

Especialista do H.Olhos explica quais são os critérios para realizar o procedimento, responsável por recuperar a visão em mais de 90% das pessoas que possuem deficiência visual provocada pela córnea

Gabriel Santos
https://www.hospitalholhos.com.br/
Divulgação - H.Olhos

O transplante de córnea é responsável pela recuperação da visão de 90% das pessoas com deficiência visual causada por problemas na córnea, mas, apesar disso, o tempo médio de espera pelo procedimento pode chegar a mais de 13 meses, gerando muita angústia para quem precisa da cirurgia. Os dados, fornecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), mostram que mais de 24 mil pacientes encontram-se na fila para realizar o procedimento, com uma concentração das cirurgias na região Sudeste, que responde por 46% do total.

Apesar do tempo na fila poder chegar a mais de um ano, a ordem na espera pode variar bastante, explica Dr. Luiz Brito, chefe da especialidade de Córnea do H.Olhos - Hospital de Olhos. “No Estado de São Paulo, por exemplo, o tempo pode ser de três meses até dois anos, dependo da região em que o paciente está inscrito”, diz ele.

 

A boa notícia é que qualquer pessoa entre 2 e 80 anos pode ser doadora de córnea. Após manifestação de interesse, é realizada uma triagem. Diante da aplicação de questionário ao grupo familiar, é feita uma análise do histórico médico da família e, posteriormente, a coleta de exames de sangue para dar prosseguimento aos procedimentos necessários. 

O paciente deve se inscrever no próprio serviço de saúde, onde deverá realizar o transplante. Seja pelo SUS, convênio ou particular, a fila é única. Existe, porém, a possibilidade de priorização, preenchendo alguns critérios, que incluem avaliação da câmara técnica da Secretaria de Saúde do Estado. 

 

Segundo Brito, as filas podem diminuir se houver uma melhora na logística envolvendo os transplantes: “O ideal seria a distribuição entre os Estados, a exemplo do que ocorre com alguns órgãos, para tentar equalizar a diferença das filas, em parceria com o Serviço Nacional de Transplante (SNT). Porém, por inabilidade logística, que é da responsabilidade do Serviço Nacional de Transplante, a distribuição de córnea é bem regionalizada e injusta, inclusive no estado de São Paulo”, explica o médico.

 

Quem tem prioridade 

Segundo o especialista do H.Olhos, existem critérios para identificar quais pacientes devem ter prioridade no recebimento de transplante de córnea:

 

  • Crianças abaixo de 7 anos com Opacidade Corneana Bilateral (perda de transparência na córnea)
  • Pessoas com úlcera de córnea intratável
  • Descemetocele (condição oftalmológica grave em que a córnea é tão fina que começa a protuberar para fora do olho, formando uma bolsa ou saco. É causada por uma lesão ou úlcera que afeta a camada mais profunda da córnea, conhecida como membrana de Descemet)
  • Perfuração corneana
  • Falência primária

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